O aumento das temperaturas médias no Brasil tem impacto direto na segurança do trabalho. Nos últimos verões, o país registrou ondas de calor acima dos 40 °C em várias regiões, e isso alterou a rotina de indústrias, canteiros de obras e serviços a céu aberto. Nessas condições, a escolha inadequada de vestimentas de segurança pode transformar a proteção em risco.
De acordo com a Fundacentro, a exposição prolongada ao calor pode causar fadiga, desidratação, tontura e, em casos extremos, colapso térmico. O desafio é encontrar o equilíbrio entre a barreira de proteção exigida pelas normas e o conforto fisiológico necessário para manter o trabalhador produtivo e seguro.
As normas que regem o trabalho sob calor
O artigo 166 da CLT determina que o empregador deve fornecer EPIs adequados aos riscos presentes no ambiente. No caso do calor, essa obrigação se complementa com a NR-15, que trata das atividades e operações insalubres, e com a NR-17, que aborda ergonomia e conforto térmico.
Essas normas estabelecem limites de exposição ao calor e orientam o uso de vestimentas adequadas para mitigar o estresse térmico.
Em paralelo, a NR-6 garante que toda vestimenta de proteção tenha Certificado de Aprovação (CA) válido, comprovando que foi testada para resistir a agentes físicos ou químicos sem comprometer a mobilidade e a ventilação do corpo.
Entendendo o conforto térmico em EPIs

Fonte: Canva Pro
O conforto térmico não é apenas uma questão de sensação. Ele depende de variáveis físicas, ambientais e fisiológicas.
Segundo a Fundacentro, fatores como temperatura do ar, umidade, velocidade do vento, radiação térmica e esforço físico determinam o nível de estresse térmico suportável pelo corpo humano.
Vestimentas pesadas ou com baixa permeabilidade ao ar reduzem a troca de calor com o ambiente, dificultando a transpiração e elevando a temperatura corporal.
Por isso, tecidos inteligentes passaram a ser protagonistas na nova geração de vestimentas de segurança.
Entre as inovações mais importantes estão:
- Tecidos de alta respirabilidade, que permitem a passagem do ar sem comprometer a barreira contra agentes químicos e respingos.
- Materiais com controle de umidade (moisture wicking), que afastam o suor da pele e aceleram a evaporação.
- Fibras refletivas que reduzem a absorção da radiação solar.
- Tecidos antiestáticos e retardantes de chama leves, usados em setores elétricos e petroquímicos.
Essas soluções combinam proteção com ergonomia térmica, permitindo que o trabalhador execute suas atividades por mais tempo, com menor fadiga e menor risco de desatenção, um dos principais gatilhos de acidentes em dias quentes.
Além disso, a escolha das vestimentas ideais depende do tipo de risco:
- Na construção civil, tecidos de algodão tratados e coletes ventilados reduzem a temperatura superficial da pele.
- Na indústria química, macacões de barreira microporosa protegem contra vapores sem causar superaquecimento.
- E no setor elétrico, tecidos aramid e modacrílicos oferecem resistência à chama e à temperatura, mas com tramas mais leves.
Gestão do calor dentro do PGR
O controle do estresse térmico não deve se limitar à escolha da roupa certa. Ele precisa fazer parte do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme determina a NR-1.
Isso significa que a empresa deve identificar, avaliar e monitorar continuamente os riscos relacionados à exposição ao calor, tanto os de origem ambiental quanto os decorrentes do uso de EPIs inadequados.
Um plano de controle eficaz deve incluir:
- Mapeamento térmico dos postos de trabalho, utilizando medições de temperatura e umidade;
- Definição de pausas para recuperação térmica;
- Fornecimento de água potável e áreas de descanso ventiladas;
- Adoção de vestimentas ergonômicas com tecidos técnicos e design funcional.
Esse conjunto de medidas transforma o PGR em um instrumento vivo, que não apenas cumpre exigências legais, mas previne acidentes e melhora o bem-estar coletivo.
Como avaliar o estresse térmico
Avaliar o estresse térmico é essencial para determinar se o trabalhador está em uma faixa segura de exposição.
A Fundacentro, em parceria com o Ministério do Trabalho, recomenda o uso do Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG) como parâmetro oficial. Esse índice considera temperatura, umidade, radiação e movimento do ar, e define limites de exposição de acordo com o tipo de atividade física.
Por exemplo, para trabalhos moderados, o limite de IBUTG é de 26,7 °C. Acima disso, deve-se adotar medidas de controle, como pausas mais frequentes, revezamento de tarefas e vestimentas mais leves.
Além da medição técnica, o acompanhamento médico ocupacional e a observação comportamental ajudam a identificar sinais precoces de fadiga térmica, como sudorese excessiva, tontura e queda de atenção.
Incluir esses indicadores nos relatórios de SST permite agir preventivamente antes que o calor comprometa a segurança.
Estratégias de conforto e segurança combinadas
O equilíbrio entre conforto térmico e proteção envolve estratégias complementares.
Primeiro, é importante analisar o tipo de tecido. Materiais de algodão tratados são ideais para trabalhos de baixa exposição térmica, enquanto tecidos técnicos com barreiras microporosas e refletivas são indicados para ambientes com calor radiante intenso.
Outra estratégia é o uso de ventilação passiva nas vestimentas, com painéis em malha ou aberturas planejadas que permitem a circulação de ar sem comprometer a proteção.
Em locais extremamente quentes, coletes de resfriamento com gel térmico podem ser utilizados, desde que compatíveis com a NR-6 e devidamente certificados.
Além do material, o ajuste ergonômico é determinante. Roupas muito justas impedem a ventilação e aumentam o calor corporal, enquanto peças largas demais podem prender-se a máquinas ou comprometer a mobilidade.
Por isso, a escolha deve levar em conta o biótipo do trabalhador e a intensidade da tarefa.
Impacto na produtividade e na cultura de segurança
A gestão do calor não é apenas uma questão de conforto, mas de desempenho e prevenção.
Estudos conduzidos pela Fundacentro mostram que a fadiga térmica reduz em até 25% a capacidade de concentração e aumenta significativamente o risco de acidentes por desatenção.
Ao oferecer vestimentas confortáveis e ambientes com controle térmico adequado, a empresa demonstra cuidado real com o trabalhador e isso se reflete na motivação, na adesão às normas e na percepção de segurança.
A cultura de segurança se fortalece quando o colaborador entende que a proteção não é apenas uma obrigação, mas uma ferramenta de bem-estar.
Nesse contexto, as vestimentas de segurança passam a ser vistas como aliadas, e não como um peso a ser suportado.
Boas práticas para dias de calor extremo
Empresas que atuam em regiões de alta temperatura ou com processos que geram calor devem adotar práticas específicas para garantir a segurança térmica:
- Promover treinamentos sobre sinais de estresse térmico e medidas de primeiros socorros;
- Substituir roupas impermeáveis por versões com tratamento respirável e dissipação de calor;
- Priorizar cores claras e tecidos com proteção UV;
- Incluir pausas curtas e frequentes em locais sombreados;
- Garantir hidratação contínua durante o turno.
Essas medidas não apenas atendem às normas, mas também reduzem o absenteísmo e melhoram o desempenho geral da equipe.
Considerações finais
A proteção contra o calor é um dos maiores desafios da segurança ocupacional moderna.
Com o avanço dos tecidos inteligentes e a aplicação de normas como a NR-15 e a NHO 06, é possível oferecer vestimentas que conciliam isolamento e conforto sem sacrificar o desempenho.
A Bunzl EPI reúne em seu portfólio vestimentas de segurança leves, respiráveis e certificadas, projetadas para setores de alta exposição térmica.
Além dos produtos, a empresa oferece consultoria técnica especializada, ajudando organizações a definir soluções sob medida para o controle de calor, de acordo com os parâmetros da Fundacentro e das NRs vigentes.