Máquinas, ferramentas, veículos e processos industriais podem produzir níveis de ruído que exigem medidas específicas de controle. Em algumas atividades, a exposição acontece durante toda a jornada; em outras, aparece em momentos determinados, como durante a operação de um equipamento ou a execução de uma manutenção.
Nessas situações, os abafadores de ruído podem fazer parte da estratégia de proteção auditiva dos trabalhadores. Mas a indicação não deve considerar apenas o tipo de serviço. É necessário avaliar o nível de exposição, o tempo de contato com o ruído e as características da atividade para definir a proteção adequada.
A NR-6 reconhece o protetor auditivo circum-auricular como EPI destinado à proteção do sistema auditivo contra níveis de pressão sonora superiores aos estabelecidos pela NR-15.
Para que servem os abafadores de ruído?
Os abafadores de ruído, também chamados de protetores auditivos tipo concha, cobrem externamente as orelhas e ajudam a reduzir a exposição do trabalhador ao ruído.
Eles podem ser utilizados em diferentes ambientes ocupacionais, desde que sejam compatíveis com os níveis de exposição identificados e com as características do trabalho.
A proteção auditiva faz parte de uma abordagem mais ampla de controle do risco. Sempre que possível, a empresa deve priorizar medidas que reduzam a geração ou a propagação do ruído. O EPI entra como uma das medidas de proteção quando a exposição não é suficientemente controlada pelas demais ações.
A NR-15 estabelece limites de tolerância para ruído contínuo ou intermitente e também possui critérios específicos para ruído de impacto. Por isso, a avaliação deve considerar não apenas o volume do som, mas também a natureza e o tempo de exposição.
Em quais serviços os abafadores de ruído podem ser utilizados?
A necessidade de proteção auditiva pode aparecer em diferentes setores. O ponto em comum é a presença de atividades ou equipamentos capazes de gerar exposição ocupacional ao ruído.
Construção civil
Canteiros de obras concentram equipamentos e ferramentas que podem produzir níveis elevados de ruído, como marteletes, serras, compactadores e outros equipamentos utilizados em diferentes etapas da construção.
Dependendo da avaliação da exposição, os trabalhadores podem precisar de proteção auditiva durante determinadas atividades. O modelo escolhido também deve permitir que o profissional execute a tarefa sem comprometer outros aspectos da segurança.
Indústria
Processos industriais podem reunir diversas fontes de ruído no mesmo ambiente. Prensas, compressores, motores, linhas de produção e outros equipamentos podem contribuir para a exposição ocupacional.
Nesses locais, a proteção auditiva precisa estar alinhada ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e às características da operação. A avaliação deve considerar a exposição real dos trabalhadores, e não apenas a presença de máquinas ruidosas.
Mineração
Na mineração, perfuração, britagem, detonação e operação de máquinas pesadas podem gerar diferentes fontes de ruído.
Como as atividades também podem envolver outros riscos ocupacionais, a seleção dos EPIs precisa considerar a compatibilidade entre os equipamentos utilizados e as condições do ambiente.
Operações com máquinas e equipamentos
Máquinas agrícolas, equipamentos de movimentação, ferramentas elétricas e outros equipamentos motorizados também podem gerar ruído significativo.
Nesses casos, é importante identificar quais trabalhadores estão expostos, durante quanto tempo e em quais etapas da operação. A proteção pode ser necessária durante períodos específicos, de acordo com os resultados da avaliação.
Serviços de manutenção
A manutenção apresenta uma característica particular: o nível de ruído pode variar bastante conforme o equipamento e o tipo de intervenção.
Uma atividade que normalmente não apresenta exposição relevante pode envolver níveis maiores de ruído durante uma manutenção específica. Por isso, a análise precisa acompanhar a tarefa que será executada.
Atividades com exposição a níveis elevados de ruído
Independentemente do setor, atividades com exposição acima dos limites estabelecidos exigem atenção específica à proteção auditiva.
A NR-15 determina, para ruído contínuo ou intermitente, uma relação entre nível de ruído e tempo máximo de exposição diária. Por exemplo, o limite de tolerância indicado no Anexo 1 é de 85 dB(A) para uma exposição de até 8 horas, com redução progressiva do tempo permitido conforme o nível de ruído aumenta.
Por isso, não existe uma regra simples baseada apenas na pergunta “o ambiente é barulhento?”. A avaliação da exposição é o que permite definir as medidas de controle necessárias.
Como saber se o trabalhador precisa de proteção auditiva?
A necessidade de proteção auditiva deve ser definida a partir da avaliação dos riscos ocupacionais e das condições reais de exposição.
A medição do ruído ajuda a identificar os níveis presentes na atividade e o tempo de exposição dos trabalhadores. Esses dados permitem verificar a relação entre intensidade e duração da exposição e definir as medidas de controle aplicáveis.
Também é importante considerar situações em que diferentes níveis de ruído acontecem durante a mesma jornada. O Anexo 1 da NR-15 estabelece que, quando há exposição a diferentes níveis, seus efeitos devem ser considerados de forma combinada.
Abafador de ruído ou plugue: qual escolher?
A escolha entre abafador e plugue depende das características da exposição e da atividade. O abafador tipo concha envolve externamente as orelhas. Já o plugue é inserido no canal auditivo. Os dois são reconhecidos pela NR-6 como categorias de protetores auditivos, ao lado do modelo semi auricular.
Na prática, fatores como compatibilidade com outros EPIs, conforto, comunicação, mobilidade e características do ambiente precisam ser considerados.
Em determinadas operações, por exemplo, o abafador pode facilitar a colocação e retirada durante períodos de exposição intermitente. Em outras, o plugue pode ser mais adequado às condições da atividade. A escolha deve ser técnica, e não baseada apenas na preferência pelo formato.
Como escolher os abafadores de ruído?
O primeiro passo é conhecer o risco que precisa ser controlado. A partir da avaliação da exposição, é possível verificar se o abafador oferece proteção compatível com os níveis encontrados.
Também devem ser analisados:
- Certificado de Aprovação (CA);
- nível de atenuação do equipamento;
- compatibilidade com outros EPIs;
- ajuste e conforto;
- condições do ambiente de trabalho;
- facilidade de higienização e conservação;
- características da atividade e tempo de uso.
O equipamento precisa permanecer corretamente ajustado durante a exposição. Um abafador inadequado ao usuário ou mal posicionado pode comprometer a proteção oferecida.
Como usar e conservar os abafadores de ruído?
O uso correto começa pelo ajuste. As conchas devem cobrir completamente as orelhas e permanecer posicionadas de maneira adequada durante o período de exposição.
Também é importante manter o equipamento limpo, armazená-lo corretamente e verificar regularmente suas condições. Almofadas, hastes e demais componentes devem ser avaliados conforme as orientações do fabricante e substituídos quando apresentarem desgaste ou comprometimento.
A empresa também deve orientar os trabalhadores sobre o uso, as limitações, a higienização, a manutenção e a substituição do EPI. Dessa forma, a proteção auditiva deixa de ser apenas uma entrega de equipamento e passa a fazer parte de uma gestão de segurança estruturada.
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Os abafadores de ruído podem ser necessários em diferentes operações, mas sua escolha deve acompanhar a realidade de cada ambiente.
Avaliar a exposição, controlar o risco na fonte sempre que possível e selecionar o EPI adequado são etapas que trabalham juntas para proteger a saúde auditiva dos trabalhadores.
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